miércoles, 23 de septiembre de 2015

POESÍA - "Poema cinematográfico" de Manoel de Oliveira






Filmes, filmes,
Os melhores se assemelham
Aos grandes livros que
Pela sus riqueza e profundidade
Se tornam de penetração difícil

O cinema não é fácil
Porque a vida é complicada
E a arte indefinible,
Indefinible será a vida
E complicada a arte.

A arte é como uma "industria",
A vida, a "materia-prima"
E a "máquina" o homem
Cuja natureza
Tanto produz uma como outra


A vida é banal,
Efêmera e fugaz,
Onde tudo mais ou menos se repete,
Para logo se ESCAPAR
A cada millonésimo de segundo.

Fica a memória
Da vida vivida,
Que se torna alimento
Da propria vida,
Possibilidade de toda a artes.

Eis única formula possível,
Que activa os factos vividos

E e ganadora de histórias e ficções.

E assim. A expressão vital
Substância de toda a arte
Se transforma a cada instante
Em substrato artístico
No íntimo de cada ser.

E ali fica potencialmente retido,
Esse instante fugaz
Que tanto pode servir,
Para receber como para dar.

Por tal,
Me atrevo á contradição
De que a vida não existe,
Mas tão-somente
O que resta do teatro dela –a arte,

Vida que agora näo é vida
Instante logo perdido
Ápice já acontencido.

Contudo,
Que sublime
Cada fração de vida vivida
Que foge e se renova
Momento a momento!

Instante
Sem memória,
Sem consciência,
Sem tempo

- instante apenas

Molécula que te esgueiras

No córrego apressado
em seu destino cego
e se precipita
no fundo desse abissal espiritu.

Mar recóndito e sem medida
que és memoria,
coisa escondida,
de todos os tempos
e de tempo nenhum


Más tu, memoria!,
excitas a vida e aimaginação
que preservas
e seleccionas,
- assim o cinema.

O cinema que

audiovisualmente pode
e vai fixando da vida
o teatro que transforma
literatura e pintura em ação, em espetáculo.

E sejam estes “material ou imaterial”,
da vida nos fica a impressão
de que não existe o real,
más tudo confusão,

o resto - ilusão.




(*) Manoel Cândido Pinto de Oliveira fue un director de cine portugués, considerado como el cineasta más prestigioso de su país y el más conocido internacionalmente. Oliveira siempre entendió el cine "como manifestación cultural moderna, indispensable, necesaria" y no como un espectáculo inferior. Ha alabado, además de a los documentalistas, los filmes de Kenji Mizoguchi, pero asimismo los de Jean-Marie Straub. De los italianos clásicos le gusta especialmente Roberto Rossellini. Ha hecho un homenaje a Vigo en Nice - "à propos de Jean Vigo (1983)"-; también a Luis Buñuel, con Bella de día, aunque Oliveira no sea tan provocador como éste. Y ha seguido la obra de los cineastas portugueses actuales.

Desde los setenta años, y de un modo continuo, realiza todo tipo de producción fílmica, a menudo narrativo en sentido amplio, inspirándose en escritores clásicos o contemporáneos, que alterna en ocasiones con documentales. Desde 1975, elige un cine estático, rueda con planos fijos: "¿Tú mueves la cabeza a lo loco para mirar algo? No, la cosas se mueven delante de ti, y tú las sigues a veces en una panorámica". Su películas narrativas se caracterizan por una marcada teatralidad y una casi constante reflexión acerca de la naturaleza del arte, el espectáculo y la complejidad del ser humano.

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